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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Populações da Resex do Rio Xingu finalmente começam a respirar melhor ...

Finalemente as populações da Resex do Rio Xingu começam a se estuturar depois de uma longa guerra para a conquista do direito de suas terras. A Resex foi decretada em julho de 2008, mas somente agora os grileiros estão sendo de fato retirados pelo ICMBio juntamente com o Gado, novos projetos produtivos começam a funcionar, a associação de moradores a se fortalecer, ... E a população a acreditar que podem contruir um futuro para seus filhos e netos na terra que herdaram de seus pais e avós. Mas a luta não acabou (lutas acabam?)... ainda há que se implementar escolas, postos de saúde, melhorar as alternativas de renda e tudo isso mantendo as bases da bela cultura tradicional beiradeira. Estão no caminho.

Entre os dias 17 e 25 de agosto ocorreu uma viagem a Reserva Extrativista do Rio Xingu organizada pelo Instituto Socioambiental em parceria com a FVPP, ICMBio, LAET e Secretaria Municipal de Saúde de Altamira para dialogar com moradores sobre regras de uso de barcos comunitários, produção de borracha e organização das associações. Foram realizadas reuniões em 4 diferentes núcleos ao longo da Resex com participação de quase todos os moradores. Veja imagens:

Leilão de Energia Eólica - R$ 131 / MWh!

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100903/not_imp604532,0.php

Energia alternativa
03 de setembro de 2010
O Estado de S.Paulo

Para não correr o risco de racionamento de energia em períodos de seca, quando baixa muito o nível dos reservatórios das hidrelétricas, prevalecia até há pouco tempo a tendência de favorecer a construção de usinas termoelétricas, movidas a óleo combustível ou a gás natural. Há anos em vigor, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) atuava mais no âmbito da Eletrobrás, mas o cenário começou a mudar em dezembro do ano passado, com a realização do primeiro leilão de fontes renováveis.

No segundo leilão desse tipo, em 26 de agosto, quando foram negociados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) 2.892,2 megawatts (MW) de capacidade, os resultados foram surpreendentes até mesmo para os técnicos e empresários. Foram contratados na ocasião 50 parques eólicos, que ficaram com 70% do total ofertado, a um preço médio de R$ 130,86 por megawatt/hora (MWh), abaixo do preço das termoelétricas a gás natural (R$ 140 por MWh). Como disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi quebrada uma série de paradigmas, uma vez que a energia eólica mostrou ser competitiva mesmo em relação à produzida por biomassa (R$ 144,20 o MWh) e por pequenas centrais hidrelétricas (R$ 141,93 o MWh).

A capacidade de produção de energia eólica, que era incipiente até a realização dos dois leilões, não passando de 600 MW em 2009, deve alcançar 4.454 MW em três anos e sua participação na matriz energética brasileira deve ficar em torno de 2,5%. É uma fatia pequena, mas tem muito espaço para expansão, estando o maior potencial no Nordeste e no Rio Grande do Sul.

Há inconvenientes, é verdade. A instalação de parques eólicos em determinadas áreas deve ser cuidadosa e até evitada, se for prejudicial ao ecossistema ou causar um impacto visual negativo. O barulho causado pela operação dos aerogeradores impõe limites mínimos de distância de áreas habitadas. Além disso, os ventos mudam e não sopram sempre com a mesma intensidade durante todo o ano. O Brasil, porém, apresenta algumas vantagens naturais, segundo Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). Ele cita o fator capacidade de geração, que está na casa de 40% no País, em comparação com 22% na Europa, ou seja, as unidades brasileiras podem geram mais energia por MW instalado.

A ABEEólica vem mapeando locais adequados em vários Estados, incluindo propriedades privadas, nas quais a instalação de aerogeradores pode complementar a renda de produtores rurais, que receberão aluguel pelas áreas cedidas para esse fim. A tecnologia nesse setor tem evoluído rapidamente e hoje existem aerogeradores que amenizam os problemas de ruído. Além disso, como notam os especialistas, a energia eólica, dadas as condições climáticas, tende a ser associada, no futuro, à energia solar.

Um grande problema para a expansão da energia eólica no Brasil era o elevado custo. Contudo, a queda da demanda por energia nos países europeus, como consequência da desaceleração de suas economias, barateou os preços internacionais de geradores e outros equipamentos. Há algum tempo, estimava-se que o custo de um parque eólico estava em torno de R$ 5 milhões por MW instalado. Hoje, esse custo é calculado entre R$ 4 milhões e R$ 4,2 milhões por MW. Com a concessão de isenção fiscal e financiamentos a mais longo prazo do BNDES, fábricas de equipamentos específicos já se instalaram ou estão em processo de instalação no Brasil.

Estima a ABEEólica que os parques de geração de energia eólica no Brasil poderão vir a ter uma participação de 20% na matriz energética brasileira nas próximas duas décadas. Trata-se de uma meta ambiciosa, mas, de qualquer forma, a energia eólica tende a crescer no País e sua contribuição para o meio ambiente será notável, uma vez que se trata de uma das formas mais limpas de geração de energia, que, não necessitando de combustível algum, não gera gases de efeito estufa.


Publicações sobre gestão de Associações comunitárias

Segue no link abaixo duas publicações do Instituto Socioambiental sobre gestão de associações comunitárias

http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/10363.pdf

http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/10359.pdf

Cameron e Sigorney em vídeos para esclarecer o mundo sobre Belo Monte

Sairam dois vídeos para ajudar a esclarecer um pouco os impactos da AHE de Belo monte, uma deles, narrado pela atriz Sigorney Weaver, faz um belo Tour no Google Earth mostrando animações muito boas do Rio Xingu, Altamira e região da Volta grande. Veja no link abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=K-seAAIsJLQ&feature=player_embedded#at=13

O outro vídeo, "A message from Pandora" na verdade é mais uma mensagem from James Cameron, mas vale a pena dar uma olhada.

http://www.youtube.com/watch?v=RjfLyGTXSYo

Japonês cria máquina que transforma plástico em petróleo

Fonte: http://www.techzine.com.br/arquivo/japons-cria-mquina-que-transforma-plstico-em-petrleo/

Lá no Japão, uma equipe de pesquisadores conseguiram criar uma máquina “caseira” capaz de converter materiais plásticos em petróleo, podendo então obter seus combustíveis derivados. De acordo com a equipe, esta máquina é capaz de converter 1kg de plástico em 1 litro de petróleo. Não há ainda informações sobre a disponibilidade comercial do equipamento. Vale a pena assistir o vídeo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Algodoal: praias de Água salgada na Amazônia Paraense



Para quem pensa que na Amazônia só tem floresta deve se programar para conhecer a vila de Algodoal, um destino obrigatório no Pará, distante apenas 210 km de Belém. É uma vila na qual só é possível chegar de barco (a partir de Marudá) e é proibido o transito de motos e carros. O transporte mais comum é a charrete, bicicletas ou as próprias pernas. Recentemente foi transformada numa APA - Área de Preservação Ambiental.

O resultado é um lugar tranquilo, com praia maravilhosas e praticamente desertas.

Vejam as fotos:
http://picasaweb.google.com.br/meiodafloresta/AlgodoalPA#

terça-feira, 20 de abril de 2010

Amazônia leiloada sem critérios, destruição anunciada
Um dia de tristeza, de direitos violados, de total descaso em mais um capítulo atropelado do processo de licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte
(Marcelo Salazar, de Altamira)

Não importa a legislação brasileira, não importam os direitos dos povos indígenas, não importam as vozes dos agricultores, população de Altamira, pesquisadores nacionais e internacionais, não importa o quanto conflito pode gerar na região, não importa o quanto de desmatamento na maior floresta do mundo a obra causará, não importa se há garantias para as ações de prevenção e mitigação, não importa nem mesmo se a obra é inviável economicamente. O que importa mesmo é fazer a maior obra do PAC e movimentar 19 bilhões de reais. Depois se cuida dos outros detalhes... caso haja tempo e recursos, e se isso for vontade dos próximos governantes. A técnica, a ciência, história e mesmo os avisos espirituais não valem nada mais frente aos poderosos processos políticos, acima de tudo e todos. Um momento extremamente crítico para a democracia brasileira, um grande golpe para a maior floresta tropical do planeta.

“Insanidade é fazer as coisas do mesmo jeito desejando obter resultados diferentes” – Albert Einstein.

Ao longo do licenciamento de Belo Monte, o governo teve a chance de fazer diferente, tinha as condições para isso, mas o processo foi conduzido de forma atropelada, sem ouvir a sociedade, sem ouvir os povos atingidos, sem respeitar pareceres técnicos da FUNAI, IBAMA e grupo de especialistas, sem um olhar sistêmico para a região. Foi conduzido com base em um cronograma eleitoral e de engenharia, sem inclusão dos aspectos socioambientais.

Pergunte ao governo e ao consórcio que fez o projeto atual de Belo Monte (Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Odebrecht) sobre os custos e cronogramas de engenharia. Obterão um número razoavelmente exato e terão as datas de cada fase de implantação até o início da operação da usina, isso provavelmente fundamentado em extensas memórias de cálculo. Pergunte ao mesmo governo e consórcio sobre os custos socioambientais e obterão um numero vazio, baseado em vento e não terão um cronograma e nem custos detalhados de implantação das ações de prevenção e mitigação.

A questão socioambiental, da forma como está sendo tratada no processo de licenciamento, mais uma vez, é claramente, um anexo totalmente sem importância do projeto de engenharia e deverá se adequar aos tempos e orçamentos a ela destinados, não estão fundamentados nas reais necessidades, tempos e custos dos processos de preparação da região que um empreendimento desse tamanho demanda. Todos querem desenvolvimento, aliás o povo do Xingu está com sede de desenvolvimento, o povo brasileiro está com sede de desenvolvimento. Mas não o queremos de qualquer jeito, sem considerar DE VERDADE a manutenção da floresta amazônica, os direitos dos povos tradicionais, as REAIS necessidades da região e do país.

Queremos energia para alimentar industrias eletrointensivas e empreiteiras tendo como resultado a destruição da florestas e seus povos? Ou queremos energia para um desenvolvimento do país que concilie as demandas sociais e ambientais? Que caminhe para uma economia de baixo carbono, de valorização das diversidades? Se quisermos isso, o processo de licenciamento de Belo Monte está mostrando na prática que estamos indo no caminho DIAMETRALMENTE OPOSTO e não podemos esperar nada diferente de um novo ciclo de destruição da Floresta amazônica e de seus povos. É isso que Belo Monte está anunciando e a sociedade deve estar consciente disso.