Amazônia leiloada sem critérios, destruição anunciada
Um dia de tristeza, de direitos violados, de total descaso em mais um capítulo atropelado do processo de licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte
(Marcelo Salazar, de Altamira)
Não importa a legislação brasileira, não importam os direitos dos povos indígenas, não importam as vozes dos agricultores, população de Altamira, pesquisadores nacionais e internacionais, não importa o quanto conflito pode gerar na região, não importa o quanto de desmatamento na maior floresta do mundo a obra causará, não importa se há garantias para as ações de prevenção e mitigação, não importa nem mesmo se a obra é inviável economicamente. O que importa mesmo é fazer a maior obra do PAC e movimentar 19 bilhões de reais. Depois se cuida dos outros detalhes... caso haja tempo e recursos, e se isso for vontade dos próximos governantes. A técnica, a ciência, história e mesmo os avisos espirituais não valem nada mais frente aos poderosos processos políticos, acima de tudo e todos. Um momento extremamente crítico para a democracia brasileira, um grande golpe para a maior floresta tropical do planeta.
“Insanidade é fazer as coisas do mesmo jeito desejando obter resultados diferentes” – Albert Einstein.
Ao longo do licenciamento de Belo Monte, o governo teve a chance de fazer diferente, tinha as condições para isso, mas o processo foi conduzido de forma atropelada, sem ouvir a sociedade, sem ouvir os povos atingidos, sem respeitar pareceres técnicos da FUNAI, IBAMA e grupo de especialistas, sem um olhar sistêmico para a região. Foi conduzido com base em um cronograma eleitoral e de engenharia, sem inclusão dos aspectos socioambientais.
Pergunte ao governo e ao consórcio que fez o projeto atual de Belo Monte (Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Odebrecht) sobre os custos e cronogramas de engenharia. Obterão um número razoavelmente exato e terão as datas de cada fase de implantação até o início da operação da usina, isso provavelmente fundamentado em extensas memórias de cálculo. Pergunte ao mesmo governo e consórcio sobre os custos socioambientais e obterão um numero vazio, baseado em vento e não terão um cronograma e nem custos detalhados de implantação das ações de prevenção e mitigação.
A questão socioambiental, da forma como está sendo tratada no processo de licenciamento, mais uma vez, é claramente, um anexo totalmente sem importância do projeto de engenharia e deverá se adequar aos tempos e orçamentos a ela destinados, não estão fundamentados nas reais necessidades, tempos e custos dos processos de preparação da região que um empreendimento desse tamanho demanda. Todos querem desenvolvimento, aliás o povo do Xingu está com sede de desenvolvimento, o povo brasileiro está com sede de desenvolvimento. Mas não o queremos de qualquer jeito, sem considerar DE VERDADE a manutenção da floresta amazônica, os direitos dos povos tradicionais, as REAIS necessidades da região e do país.
Queremos energia para alimentar industrias eletrointensivas e empreiteiras tendo como resultado a destruição da florestas e seus povos? Ou queremos energia para um desenvolvimento do país que concilie as demandas sociais e ambientais? Que caminhe para uma economia de baixo carbono, de valorização das diversidades? Se quisermos isso, o processo de licenciamento de Belo Monte está mostrando na prática que estamos indo no caminho DIAMETRALMENTE OPOSTO e não podemos esperar nada diferente de um novo ciclo de destruição da Floresta amazônica e de seus povos. É isso que Belo Monte está anunciando e a sociedade deve estar consciente disso.
Este espaço trata de questões relacionadas ao fortalecimento do território Amazônico e seus povos com ênfase nos seguintes temas: Energia, Populações Extrativistas, Populações indígenas, Áreas Protegidas e Alternativas econômicas para Amazônia. Desenvolvimento SIM, de qualquer jeito NÃO!
terça-feira, 20 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
James Cameron na Volta Grande do Xingu - Pandora é aqui!

James Cameron veio conhecer uma das Pandoras Reais na Volta Grande do Xingu, encontrou diversas lideranças indígenas, conheceu a floresta, sentiu o vento na cara, dormiu na Aldeia Arara do Maia, na rede, comeu peixe do Rio Xingu e experiementou até um início de naufragio real, entendeu alguns dos possíveis impactos da Usina de Belo Monte projetada para a região. Enfim, esteve presente, 100% presente durante os dois dias no Xingu, mergulhado nas experiências que teve, mergulho na realidade do Xingu. Não levou laptop, ipod, telefone, nada. foi com uma maletinha com roupas e só. O cara é conectado com o mundo, simples, atencioso a cada detalha e tá com vontade de contribuir com a mudança que o planeta precisa enfrentar. Para nossa sorte e dos povos da região escolheu o Rio Xingu, região da Volta Grande como uma das áreas onde pretende fazer a diferença. A organização de toda a logística da reunião de lideranças e conciliar a ida de Cameron a essa reunião deu trabalho, mas foi recompensador.
- Veja aqui notícia do ISA a respeito.
- Veja aqui artigo de Marina Silva falando sobre Belo Monte e Avatar.
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